Agrupamento de Escolas nº 1 de Gondomar

Sede Escola Secundária de Gondomar

Testemunhos

Egídio Leite

O meu nome é Egídio Leite, e gostaria de partilhar convosco a minha experiência no meu processo de RVCC– Centro Qualifica. Como introito, gostaria de salientar a amabilidade com que fui recebido na escola, desde o primeiro contacto, na pequena entrevista individual, até ao fim do processo de certificação de competências. No início estava ansioso, isto porque parece que tinha chegado a uma escola pela primeira vez; no entanto, senti-me carinhosamente “abraçado” por todos os professores que iriam ser os responsáveis por toda a nossa aprendizagem. Em momento algum, me senti desamparado, o profissionalismo, a ajuda, a entrega e a disponibilidade de todos os professores foi incansável, tinham o cuidado de explicar detalhadamente de uma forma tipo “step by step”, e isso dava-me uma confiança e segurança enormes, uma vontade extra no objectivo traçado. A experiência foi sem dúvida excelente e inolvidável. A turma ajudava-se mutuamente nos trabalhos considerados comuns, as escassas dificuldades que surgissem rapidamente dissipavam-se, ora porque um colega que se dispunha a ajudar, ou então estava lá uma professora prontamente a ajudar a resolver a adversidade. Poderia estar aqui horas a descrever a minha experiência no meu processo de RVCC, isto porque, ele foi tão enriquecedor quer na questão de trabalhar no objectivo da validação de competências como na experiência da ligação entre colegas e professores. Esta “aposta” em fazer o processo de RVCC foi de todo uma mais-valia, quer a nível pessoal quer profissional. Primeiro, pelo simples facto de ter o 12.º ano é sem duvida algo que eleva em muito a nossa auto estima; segundo, deixa de existir uma adversidade na procura de emprego, isto porque, há uma exigência sempre presente para a obtenção do mesmo; terceiro, o enriquecimento durante o processo em si, faz com que tenhamos uma maior abrangência de conhecimento das áreas exigidas durante os trabalhos solicitados o que, motiva-nos na persistência do aperfeiçoamento e na vontade de querer saber sempre mais nos diversos temas e unidades de competências, e com isso reitero que, é sem duvida alguma uma mais-valia de forma transversal “apostar” no processo de RVCC. O cordão umbilical que liga o Ministério da Educação às Escolas é o passaporte para que haja um “novo” nascimento ou até oportunidade para a vida escolar e curricular! Por fim, e não querendo ser repetitivo, a minha última palavra vai para o excelente trabalho de todos os professores, foram incansáveis em todos os momentos no processo RVCC, hoje, voltaria a fazer tudo de novo, até porque, quando esta pequena maratona chegou ao fim, queria que apenas tivesse começado!

Daniel Pinto

Completar o ensino secundário foi desde cedo um desejo pessoal que foi sendo sucessivamente adiado em virtude da falta de horários que o meu trabalho implicava, ou até mesmo por estar deslocado para outras zonas do país ou para o estrangeiro. Sabia, contudo, da importância que completar o ensino secundário poderia ter na hora de procurar um emprego, além de sentir que após a frequência do 12.º ano sem o ter conseguido concluir, tinha ficado algo por fazer. Quando confrontado com uma situação de desemprego, e vendo que muitas das propostas de trabalho exigiam o 12.º ano de escolaridade, entendi que aquele era o momento certo. E todo o processo não poderia ser mais satisfatório a nível pessoal. Sempre devidamente acompanhados e apoiados, somos "convidados" a refletir e a revisitar experiências e momentos da nossa vida, sejam elas pessoais ou profissionais, o que me levou numa viagem no tempo até memórias que já estavam esquecidas. No final deste processo, além de estar mais preparado e habilitado para responder a novos desafios profissionais, sinto-me mais realizado pessoalmente por ter atingido algo a que me propus e ambicionava há algum tempo.

Maria das Dores Rocha

Maria das Dores Gabriel da Rocha, 57 anos, desempregada de longa duração, decidi integrar o processo RVCC do Centro Qualifica da Escola Secundária de Gondomar. O intuito era o de aumentar as minhas habilitações literárias. E porquê!? Estava desempregada há muito tempo e como não tinha concluído o 12.º ano, as hipóteses de ser integrada no mundo do trabalho eram praticamente nulas, pese embora, o meu percurso de vida pessoal e profissional ser vasto e rico em conhecimentos e experiência, a falta de habilitações era um obstáculo a um novo emprego. Assim uma vez mais decidi mostrar aos outros e até a mim mesma que ainda era dona das minhas capacidades. Assim, convicta do que o processo de RVCC me daria, propus-me a tirar o 12.º ano, com toda a minha força de vontade, acreditando que todos somos capazes, temos é que o demonstrar através do nosso esforço e empenho. O processo RVCC foi rico em planos formativos diversificados, com temas atuais, sócio económicos, político sociais, ambientais, etc. que, não só nos deu a oportunidade de aprender, como a de, aplicar os nossos conhecimentos pessoais e profissionais, adquiridos ao longo da vida, bem como usar ferramentas e novos conhecimentos informáticos, que se utilizam no nosso dia a dia e dos quais já ninguém pode prescindir! Este processo excedeu as minhas expectativas e graças a ele, aos meus formadores, pessoas incansáveis e profissionais dedicados, que nos foram preparando para obtermos os melhores resultados, isto foi possível. O mérito do nosso esforço, também se deve a eles, em parte, pela sua disponibilidade e espírito de entre ajuda. Em poucos meses, acabei o 12.º ano com grande êxito e estou apta a concorrer ao mundo do trabalho, de igual modo com os demais, pelo menos, no que respeita às habilitações literárias obrigatórias. AOS MAIS VELHOS, quero transmitir a mensagem de que nunca é tarde para atingirmos os nossos objetivos, mostrar que somos capazes e fazê-lo sem receios. AOS MAIS NOVOS, incentivo-vos a não se deixarem ficar para trás nos estudos, pois eles são uma mais valia na nossa vida. O tempo passa depressa e quando derem por isso, perderam as melhores oportunidades das vossas vidas. Portanto, se ainda não concluíram os vossos estudos têm neste processo uma oportunidade para traçar um futuro melhor. Não hesitem e mais tarde colherão os frutos do vosso esforço! A todos, com quem tive o prazer de estudar, colegas e professores, o meu grande, BEM HAJAM!

Lurdes Cardoso

O Processo Rvcc - Reconhecimento, validação e certificação de competências, tal como o nome indica, é uma oportunidade para conseguir valências em termos académicos, para terminar o ensino secundário. Destina-se essencialmente a adultos que por uma ou outra razão deixaram os estudos para trás. É um processo que é desenvolvido ao longo de varias sessões, nas quais somos acompanhados por formadores, onde são debatidos assuntos muito interessantes do nosso quotidiano e da atualidade. Assuntos estes que nos vão servir para construirmos o nosso portefólio, onde iremos demonstrar a nossa experiência de vida e conseguir a certificação que é baseada num referencial de áreas competências chave. Para mim, foi uma experiência única - adquiri conhecimentos, vivi outros e revi a minha vida em aspetos que estavam um tanto esquecidos ou adormecidos. Adquiri competências em assuntos da atualidade dos quais eu não conseguia expor as minhas ideias até então. Terminar o ensino secundário obrigatório era muito importante para o meu ego e curriculum. Agarrei este processo com o máximo de empenho para ver o meu sonho realizado. Não queria terminar o meu testemunho sem agradecer a todos os intervenientes destes processos, formadores e técnicos que apreciei bastante a forma como nos motivam e conduzem estes processos.

Luís Ribeiro

Há cerca de 1 atrás conclui o 12.º ano de escolaridade. Hoje, existem várias formas de o fazer de forma relativamente rápida e, por isso, a decisão não foi difícil, até porque valoriza-me a nível pessoal e profissional. Inscrevi-me na Escola Secundária de Gondomar através do Centro Qualifica e iniciei o processo que concluí, com a minha apresentação a júri. Depois de sucessivos adiamentos, ganhei força de vontade para concluir esse objetivo. Fui encontrar no centro qualifica profissionais que me motivaram durante este processo e na minha vida pessoal amigos que também me ajudaram a concretizar este objetivo. Consegui vencer as dificuldades com que me deparei e hoje sinto um orgulho enorme com a concretização deste objetivo. Durante o processo, foi-me imposto ter 50 horas de formação e após a conclusão desta formação decidi continuar com as formações de Inglês, por ser benéfico para a profissão que desempenho na área da hotelaria. No futuro, pretendo aumentar os meus conhecimentos com ações de formação e tornar-me uma pessoa com mais conhecimentos e melhorar o meu curriculum.

Claúdia Lima

Podia começar o discurso da forma mais correta, da maneira como a língua portuguesa o quer que o façamos, e focando-me apenas na parte didática, pedagógica e concreta do RVCC. Mas não. Não estaria de acordo com o que se baseia esta experiencia maravilhosa. Conseguirmos algo que nos completa a um nível intelectual, isto tudo, tendo como origem a história da nossa vida – torna-se até poético. Foi um dia como tantos outros onde, honestamente, achei que ia entrar nas instalações da escola – neste caso Secundária de Gondomar – e iria sair dali devastada com o futuro que me era previsto – mais 2 ou 3 anos em aulas constantes para terminar o 12.º ano, no entanto, a situação era completamente promissora. Foi-me explicado que o processo RVCC depende inteiramente da nossa vontade de saber mais, de reviver a nossa vida de maneira a conseguir intercalar todos os assuntos necessários e básicos para a consolidação de temas e da nossa disposição em organizar o nosso tempo de maneira a conseguirmos corresponder as expectativas. Não querendo maçar, mas apenas para compreenderem o porquê de uma rapariga com 28 anos não ter o 12.º ano, quero fazer-vos uma breve iniciação do que me levou a não concluir este capítulo na altura devida, e tudo o que ganhei com esta experiencia. A minha vida foi recheada de dissabores, assim como de muita alegria e felicidade – fruto de um investimento emocional enorme por parte da minha mãe. Passei por cancros desta sociedade como a violência doméstica, agressão física e verbal, dificuldades financeiras, etc. E, tendo em conta que, entre os 16 e os 18 anos, já tinha uma noção clara do que se passava, apercebi-me que teria que ir trabalhar e ajudar a minha mãe... ajudar-nos a sobreviver após a morte do homem que se designa – em termos legais – como meu progenitor biológico. Nunca, em momento algum, me arrependi de ter feito o que fiz, de ter deixado os estudos, porque a minha mãe, desde o meu nascimento, que me protege e me ama incondicionalmente. Era a minha vez de olhar por ela. E assim o fiz, e fui feliz! Apenas para deixar claro que sou feliz, tenho uma família maravilhosa, um trabalho, um teto, contas pagas, comida na mesa e sorrisos diárias e constantes à minha volta. No entanto, para mim que sempre fui de olhar para a vida com o mesmo controlo que o ar que respiro tem em mim, senti sempre que me faltava algo. O término de um capítulo. Ingressei no RVCC na esperança de singrar a nível profissional, de continuar os estudos, de conseguir mais para mim própria a nível intelectual e melhorar a minha qualidade de vida assim como da minha família. Sempre adorei estudar, ler, escrever, ter um objetivo constante, saber mais, sentir-me realizada a nível académico. Todos os desafios são essenciais à nossa capacidade de reagir, de lutar, de mergulhar em nós mesmo de maneira a insistirmos com o nosso intelecto...sermos mais e melhores! Terminei o RVCC em sensivelmente 8 meses – sem falarmos em férias escolares ou interrupções letivas - e, não digo que, muitas vezes, não me custou saber que, depois de 8 horas de trabalho, tinha que andar a correr e ir a reuniões na escola, ver os meus filhos cerca de 2 horas por dia... custou sim! Tenho dois filhos pequenos, um marido que trabalha muitas vezes por turnos e avós que também trabalham em horário noturno. Mas consegui! Envolve dedicação, foco e um objetivo! Neste momento, estou a verificar as minhas opções no ensino superior e o meu único obstáculo são os valores praticados nas propinas e a falta de ajuda para as pessoas que trabalham, que têm despesas, mas que, para o sistema educacional, são pessoas com possibilidades financeiras para retirar do orçamento familiar um valor de cerca de 280,00 € por mês ou, mesmo que seja concedida uma bolsa mínima, 140,00 € mensais – sem falar em material escolar. Não consigo expressar a minha tristeza por perceber que, provavelmente, o facto de não ser possuidora de um ordenado com 4 dígitos, me fará ter que aguardar anos por uma oportunidade. A nível profissional, espera-se que exista um documento que demonstre que temos a escolaridade mínima, não do 9.º ano mas sim, do 12.º ano. E é possível! Eu sou a prova disso mesmo. Que, mesmo com dois filhos, trabalho esgotante a nível mental, trabalho doméstico, necessidade de ter capacidade psicológica para, após tudo isto, brincar e dialogar com os nossos familiares, conseguimos retirar um gosto enorme em escrever cada frase, concluir cada tema, cada tarefa com mais conhecimentos do que os que tínhamos anteriormente, e conseguirmos, mediante tudo isto, olhar para o nosso trabalho e saber que a nossa vida está espelhada da maneira mais completa a nível educacional. Num futuro próximo, irei mostrar o que alcancei e construi aos meus filhos provando que, seja em que altura for, seja com que cansaço for, conseguimos construir e terminar etapas. A licenciatura é (ou será) o meu próximo passo... seja agora, ou daqui a alguns anos, quando a minha vida mo permitir. Mas nunca desistindo, porque – como toda a gente já ouviu dizer – “parar é morrer”, e a vida parece-me tão cheia de surpresas...

Delfina Cardoso

EM BUSCA DE UM SONHO Nem sempre a vida nos proporciona a oportunidade de estudar, na devida altura. A vida para mim foi bastante dura e intensa. Obrigada a crescer rapidamente, sem ter opção de escolha, com o passar dos anos, a única coisa que me mantinha com força para continuar era o facto de voltar a estudar. Depois de muitas viragens na minha vida, deu-se uma das viragens mais importantes, o regresso a escola. Quando tomei conhecimento do processo RVCC, resolvi inscrever-me mesmo tendo algumas pessoas que me desmotivaram de que não valia a pena, mas eu segui em frente. Apesar da intensidade vivida e de toda a aprendizagem, sentia-me incompleta, eu queria mais, queria aprender evoluir a cada dia que passava. Existem valores e capacidades que se carregam no coração que nascem com cada um de nós e a aprendizagem ajuda a completar toda a nossa capacidade de reafirmar esses valores e capacidades. No início foi difícil, o meu tempo era muito limitado devido ao trabalho, mas quando a vontade de realizar um sonho impera nada nos pára! Conhecer novas pessoas, personalidades, estilos, ideias e expor as minhas era mais um motivo para continuar. Incentivar os colegas a não ficarem para trás, mostrar que todos temos valores e capacidades que não deveremos desistir dos nossos sonhos e objetivos, fazia com que me sentisse ainda mais determinada. Depois da conclusão do 9ºano através do Centro Qualifica de Gondomar, a minha vida começou uma viragem: fui reconhecida no meu trabalho pelo meu empenho e tive até um aumento de salário! Mas não ficou por aqui, quando leram o meu portefólio, foi-me oferecida a entrada num curso intensivo de auxiliar de saúde e ação médica! Finalmente, o meu sonho começa a realizar-se. Cuidar dos outros com a essência que possuo e o saber que pretendo desenvolver. É das coisas mais gratificantes que eu poderia ter. O mais turbulento caminho leva-nos ao mais delicioso destino: o mérito e conforto pelo nosso esforço. Não desistam das pessoas, só porque não tiveram oportunidade de estudar, mostrem o caminho e ajudem-nas a percorre-lo para que todos/as tenham o direito à educação, independentemente da idade, situação social e económica. Agradeço muito ao Cento Qualifica de Gondomar e a todos os Professores, Coordenadores e Funcionários desta escola pela oportunidade que me deram, encaminhando-me para o caminho do sucesso!
NUNCA É TARDE PARA RECOMEÇAR!
MUITO OBRIGADA.